A casa…

“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência
egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.”

Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas…
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida…
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto…
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos…
Netos, pros vizinhos…
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias…
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela…
E reconhecer nela o seu lugar.

(Carlos Drummond de Andrade)

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E tem gente mais louca do que eu…

Ontem, li na Zero Hora a coluna do Fabrício Carpinejar, que está viajando pelo Rio Grande do Sul e conhecendo vidas, pessoas, hábitos…Pois bem, ele conta a história de um "empalhador de animais". Até aí tudo bem… Muita gente caça e quer exibir suas presas.
Mas, na história, o destaque vai para as pessoas que empalham seus animais de estimação.
Ok, os bichinhos são nossos amigos, fazem parte da família e tals… Mas andar pela casa e levar o dog junto, empalhado, e agir como se ele estivesse vivo… Ah, isso é demais pra mim!

Replico abaixo o texto do Carpinejar!

O EMPALHADOR DE CÃES

Posted: 24 Sep 2011 10:48 AM PDT

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Dono de um fox paulistinha, Ubirajara já empalhou 18 mil animais no seu laboratório instalado em casa. Fotos de Ricardo Duarte

O ex-bombeiro Ubirajara Lopes, 60 anos, tem o dom de assegurar vida eterna aos animais. Ou quase isso.

– Meu trabalho dura cinco séculos, o equivalente à infância e à adolescência de um vampiro.

Ele já empalhou mais de 18 mil bichos em seu laboratório nos fundos de sua casa amarela em Carazinho, cidade de 58,2 mil moradores, distante 285 quilômetros da Capital. A maior parte das encomendas são cachorros a pedido de seus donos, inconformados com a perda recente e que buscam manter uma imagem carinhosa do parceiro de estimação.

– Homens surgem chorando em minha porta, ainda sem entender a tragédia. Faço terapia, velório, chá, um pouco de tudo para acalmá-los e depois explico como é feita a homenagem.

Para estar apto ao trabalho de conservação, o bichinho deve ter morrido dentro do prazo de 72 horas. Os casos que mais aparecem para o empalhador são atropelamentos e envenenamento, fins súbitos, que privaram a família do direito a uma despedida.

– Deixo o cão em uma posição bonita, é o dono que escolhe sua cena predileta, como pretende enxergar o animal para sempre: sentado ou deitado ou de pé.

Atuando com taxidermia desde 1980, Ubirajara atende 15 pedidos por mês. Colabora também com Ibama e Museu Regional Olívio Otto de Ciências Naturais. Cada animal tem seu valor (cavalo custa R$ 4 mil; cachorro, R$ 2 mil; peixe grande, R$ 1 mil; coelho e gato, R$ 200; hamster e passarinho, R$ 50).

Nenhum obstáculo complica sua arte funerária, nem o motivo da morte, muito menos o porte da vítima e a raça. Depende de 60 minutos cronometrados para completar o serviço (tira o couro, preserva crânio e os ossos das patas e reveste o pelo com uma armação de ferro).

– Não acho estranho. Sou um fabricante de recordações.

Interessou-se pelo ofício na infância, ao acompanhar o pai em pescarias e caçadas e ficar intrigado com cabeças de dourados e de cervos nas paredes das residências de seus colegas.

– Peças tão reais, verdadeiras, vibrantes, aquilo fisgou minha curiosidade.

Autodidata, com a escolaridade até 6ª série, tornou-se craque em anatomia ao devorar enciclopédias de bibliotecas públicas. Levou adiante seu passatempo e estudou técnicas de embalsamento do Antigo Egito e dos rituais milenares à base de pó de canela, sal e pedra úmida.

Ubirajara é um Francisco de Assis da resina. Tem compaixão por bicho morto na estrada. Recolhe o corpo, desamassa, cuida da aparência e reza pela sua alma. O porta-malas do Ka é um Instituto Médico-Legal improvisado.

– O último olhar é o olhar do perdão, tem um brilho diferente, mantenho aceso para o resto dos dias – diz.

Apaixonado por cães, ele não descarta empalhar Cuca, seu fox paulistinha, quando falecer.

– As lágrimas serão meu formol.

As brincadeiras de mau gosto dos vizinhos representam a única parte chata da história. Ao vê-lo passar pela rua, um deles grita:

– Quanto cobra para empalhar minha sogra?

ALÉM DA VIDA

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A sala iluminada apenas pela luz da TV. Como todas as noites, Natalino Cordeiro dos Santos, 52 anos (acima), está acompanhado de seu melhor amigo, o poodle malhado Caco, para assistir à novela. Pela força do hábito, coloca a mão atrás da orelha do cãozinho, é o lugar das cócegas. Mas Caco não se mexe, não late, não geme; morreu em 2008.

– Após ser atropelado, Caco veio cambaleando me abraçar.

Natalino recorreu a Ubirajara para eternizá-lo. Projetista de Passo Fundo, pai de três filhos, carrega o animal empalhado pela residência, reprisando o clima de lealdade.

– Prometi nunca abandoná-lo. Ele comia comigo, passeava na janela do carro, andava em duas patas na hora do mimo e lambia meu rosto ao me descobrir abatido.

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Publicado no jornal Zero Hora
Série semanal BELEZA INTERIOR
(Em todos sábados de 2011, apresentarei meu olhar diferenciado sobre as cidades, as pessoas e os costumes do RS)
p. 32, 24/9/2011
Porto Alegre, Edição N° 16835

Antecipando as compras de Natal

Outro dia, recebi email de um grupo de discussão de organização que eu assino lembrando algo:

a contar do dia 15 de setembro, faltam 101 dias para o Natal!

Essa gente louca já pensa no Natal? Socorro! hehehe!

Se bem que, como no ano passado eu tomei umas providências antecipadas e obtive sucesso na missão, este ano vou repetir a dose. A ideia é adiantar os presentes. Desenvolvi alguns pontos para pensar e agir aos poucos, a partir do meu aniversário (que é dia 30 de setembro). Resultado? Cheguei ao Natal com TODOS os presentes comprados. Não enfrentei filas em lojas (ok, uma só, mas porque meu pai pediu de última hora um Cd d’Os Serranos) e meu décimo terceiro sobreviveu ao final de ano!

Mas como faz?

1. liste todas as pessoas que você precisa presentear, comprar uma lembrancinha ou mandar um cartão;

2. coloque ao lado do nome o que pretende comprar ou o limite de gasto com este presente;

3. analise a lista e divida por locais de compra ou por tipos de presentes (sapatos, perfumes, itens de decoração…)

4. sempre que estiver na rua, observe as lojas: você pode estar em frente a uma mina de presentes e não saber;

5. viu um item da lista, com um preço legal? Compre, embrulhe para presente, identifique o dono e esconda no guarda-roupas. Foi o que eu fiz… Fui enchendo o fundo do guarda-roupas de presentes e, quando chegou perto do Natal, só coloquei pra fora do armário e fui distribuindo…

E aí, já pensou na sua lista??

Think about XXXI

O que fazer em um momento livre inesperado?

E de repente sobra tempo. Sim, um compromisso é cancelado, algo dá errado e um projeto pessoal dá uma trancadinha – nada negativo, ok! Nessas horas, quase dá um troço, porque sobra tempo e falta programação. Que tal aproveitar e seguir algumas dessas ideias?

  • Passar o tempo jogando apenas com os seus filhos, apenas pendurado para fora, sem agenda.
  • Tirar um tempinho pro marido / pra esposa. Só conversar e aproveitar a companhia um do outro.
  • Passar algum tempo junto a natureza. Que tal um piquenique ou uma caminhada. Se estiver fora da cidade, as opções são uma caminhada na praia ou nas montanhas.
  • Retome um hobby que deixou de lado. Pode ser pintura, tricô, crochê, alguma coleção…
  • Divirta-se na cozinha, se é um lugar que te agrada. Invente pratos novos. Convide amigos!
  • Faça um trabalho voluntário. Ajude alguém. Certamente esse ato trará alegria e satisfação!
  • Leia um bom livro, por diversão.
  • Leia um livro para seus filhos. Ou você não gostava que seus pais lessem para você, quando era criança?
  • Encontre um programa de exercícios que te agrade. Pode ser yoga, corrida ou ciclismo.
  • Passeie por sua cidade. Aja como um turista. Observe mais, com atenção!

Think about XXX

Dicas para conservar livros

Quem me conhece sabe que eu AMO livros. E que leio de tudo. No momento, estou intercalando as leituras da dissertação do Mestrado com Bukowski e Kerouac. Mas o Mestrado é prioridade!

Juntar tantos livros dá trabalho. Por isso, fui obrigada a compartilhar as dicas de manutenção do Livros e Afins, de forma resumida. Confere aí:

  • Como muitos livros juntos pesam, considere a espessura das prateleiras na hora de dispô-los.
  • O livro deve ser constantemente manuseado;  virar páginas oxigena o material, impede a acumulação de microrganismos e evita que as folhas não fiquem ressecadas e quebradiças.
  • Folhear rapidamente o livro ao guardar ajuda a arejá-lo.
  • Não guarde os livros em sacos; o papel precisa respirar.
  • Evite encapar os livros com papel pardo ou similar. Papel pardo transmite acidez para o que estiver envolvendo.
  • Uma vez por ano, retire todos os livros e limpe com pano seco. Limpe a estante com pano úmido, sem produtos de limpeza.
  • Deixe sempre um espaço entre estantes e parede – ela pode transmitir umidade, o que faz surgirem fungos.
  • Armários e estantes devem ser arejados. Se a estante é fechada, deve ser periodicamente abertas.
  • Na hora da compra, prefira estantes de metal.
  • Não use clipes para marcar páginas, pois oxidam e estragam o papel.
  • Estantes de madeira podem ser revestidas com vidro.
  • Bibliotecas devem ser freqüentadas. Baixa freqüência de pessoas aumenta os insetos. Faça tratamento anual contra traças.
  • Não guarde livros inclinados. Aparadores vão mantê-los retos.
  • Encadernações de papel e tecido não devem ser guardadas com as de couro.
  • Na prateleira, os livros devem ficar folgados. Livros apertados também favorecem o aparecimento de cupins.
  • Quando tirar um livro da prateleira, não puxe pela parte superior da lombada, pois danifica a encadernação. O certo é puxar o volume desejado pelo meio da lombada.
  • A melhor posição para um livro é vertical. Livros maiores devem ter prateleiras que permitam isso. Em último caso deixe-os horizontalmente, sem sobrepor mais de 3.
  • Luz do sol direta nem pensar, pois desbota e entorta capas.
  • Se for um livro antigo ou de algum outro valor ou de maior sensibilidade, lave as mãos antes de folheá-lo. E evite umedecer os dedos com saliva para virar as páginas.
  • Ao ler um livro, evite abri-lo totalmente, o que pode comprometer a estrutura da encardenação.
  • Não use fitas tipo durex e fitas crepes nem cola branca para evitar a perda de um fragmento de um volume. Esses materiais provocam manchas irreversíveis.