Vai falar mal? Tenta conhecer antes!

Eu tenho falado muito sobre isso. Sobre essa mania das pessoas de criticarem pelo simples prazer de ser do contra. Sem conhecer. Sem tentar entender. Sem ver de onde veio.

É simples. Vou dar um exemplo que estudei por dois anos, no Mestrado. As telenovelas.

A reclamação geral é que novela é uma merda. Não serve pra nada. Engana e manipula as pessoas.

Mas e o que é telenovela? Para que serve? De que forma chega aos telespectadores? Alguém lembrou de pensar sobre isso antes de marretear essa produção dramatúrgica?

Ao contrário do que muitos podem pensar, a telenovela conquistou uma importância tão grande no imaginário e na realidade das pessoas que ganhou espaço na Academia (lembrem-se que Academia não é somente aquele lugar que as pessoas fazem ginástica, ok?).

E telenovela foi definida pela pesquisadora Rose Calza como “uma forma de arte popular que não é literatura, cinema, teatro ou produto de outro meio qualquer. Uma telenovela é uma peça dramática que pode surgir da adaptação de um livro ou mesmo ser inspirada em um poema, mas nunca se confundirá com eles” (CALZA, 1996, p.7)

A mesma Calza comenta que “[…] em uma telenovela, temas importantes podem e devem ser debatidos enquanto tiverem uma função clara no enredo da trama que se monta pois, antes de tudo, telenovela é entretenimento” (CALZA, 1996, p.14).

Mas as pessoas são enganadas, acreditam que o que vêem na TV é real… Ah, parem com essa conversa… Quem ainda acredita em tudo que a TV mostra? Quem confia 100% nos vídeos que vê na internet?

Umberto Eco (que é muito mais do que autor de O Nome da Rosa) fala sobre esse acordo ficcional que se forma entre autor e público.

“[…] o leitor tem que saber que o que está sendo narrado é uma história imaginária, mas nem por isso deve pensar que o escritor está contando mentiras. […] o autor simplesmente finge dizer a verdade. Aceitamos o acordo ficcional e fingimos que o que é narrado de fato aconteceu” (ECO, apud MALCHER, 2009).

Ou seja: a “massa” não é tão burra quanto alguns pressupõem. Ela sabe, sim, o que é real e o que é ficção. Sabemos que uma Teresa Cristina (plin-plin) real provavelmente já teria sido descoberta e presa por ser a louca que mata de formas toscas todo mundo que a incomoda – ou nem incomoda tanto assim, mas está na reta. Mas ela não é real, é personagem ficcional, e por isso o público entende – e torce para – que ela só se dê mal no final.

Afinal,

“assistir a uma novela é incorporar a trama ao cotidiano e de certa forma participar da dinâmica social que vai definindo os rumos da narrativa” (HAMBURGER, 2005, p.44).

Quando a gente toma partido de um personagem em detrimento de outro, o faz porque se reconhece e se posiciona em relação a interpretação de seus próprios dramas. Da mesma forma, o público se posiciona quando comenta temas polêmicos e acaba ecoando, em suas opiniões, os seus dramas privados. Aqui, cabem tanto as referências ao político e social quanto à moda e consumo.

* * *

Eu poderia ficar aqui horas justificando minhas ideias, mas…

O que eu queria dizer mesmo é que considero de extrema importância que as pessoas, antes de falar mal por falar, busquem conhecer sobre o estão falando. Porque o que mais ouvimos por aí é “nossa, tão ruim que eu nunca vi/li/ouvi”. Isso vale pras novelas, BBB, Veja, Michel Teló, Luiza/Canadá…

Anúncios

Autor: Poli Lopes

Jornalista diplomada, passei por agência de marketing digital, jornal, rádio, revista e assessoria de imprensa, sempre escrevendo. Doutoranda e Mestre em Processos e Manifestações Culturais, também sou professora no MBA em Marketing Digital no Iergs (Uniasselvi). Sou apaixonada pelo que faço e também pelo meu marido e pelo meu cachorro.

Diga o que achou

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s