Por que nós amamos os vilões?

Aviso: este texto eu publiquei no Medium em fevereiro de 2016. Está na lista dos que mais gostei e que, por isso, estão vindo pra cá! Espero que você se divirta com a leitura!


Ok, esse amor é meu. Mas sei que não tô sozinha!

Sou de Humanas, sou problematizadora. #diferentona

Brincadeiras à parte, gosto de analisar meus hábitos e ideias, principalmente quando vejo que a loucura não é apenas minha. E a paixão pelos vilões, super em alta nos dias de hoje, é uma dessas manias que tenho desenvolvido.

Gosto de alguns mocinhos, como o Dr. Spencer Reid, do Criminal Minds, mas ele é um mocinho um tanto… estranho! Então não conta!

Noveleira que sou, chamo até hoje todos os personagens da Renata Sorrah de Nazaré (e não mais de Heleninha Roitman). E, como muitos por aí, fico esperando ela jogar algum desafeto pela escada.

A pesquisadora Ana Maria Figueiredo (2003) afirma que a personagem é a peça fundamental da narrativa (seja em livro, seja em vídeo), porque são elas que amarram a história. É o entrelaçamento das personagens em um enredo que retem a atenção nossa atenção.

Aí vem o pulo do gato. Cada vez menos sonhamos com o mundo de princesas, de ser a boazinha que se ferra até o final, quando (nem sempre) dá a volta por cima.

 

Antônio Candido (1988) diz que as personagens são

“seres humanos de contornos definidos e definitivos, em ampla medida transparentes, vivendo situações exemplares de um modo exemplar”.

Mas vejam só: ser exemplar, para ele, não é necessariamente uma característica positiva: a personagem pode ser exemplar para o bem ou para o mal, desde que esteja integrado em um denso tecido de valores, a partir dos quais age.

Ou seja, quando admiramos aquele vilão mais FDP, aquele que faz tudo errado mas que o faz porque acredita ser o certo, ou porque foi a única forma de vida que ele aprendeu, ou ainda porque quer se dar bem — e quem não quer? — é porque esse tecido de valores foi bem tramado.

Vejamos, hoje: a novela A Regra do Jogo tem Juliano e Romero.

Juliano é aquele mocinho que quer fazer tudo certo. Foi preso injustamente. Cumpriu 4 anos. Idolatrava um pai sofrido que na verdade é bandidão. Sempre fez as coisas do jeito certo e sempre se deu mal.

Já o Romero é uma “vítima do sistema”. Foi criado por um cara de caráter beeem duvidoso — Ascânio, do maravilhoso Tonico Pereira — com quem aprendeu a roubar, enganar. Doente, seguiu enganando e agora, no final, parece querer se redimir — ainda que de um jeito errado.

Pra quem nós torcemos? Quem admiramos?

 

Nem Romero, nem Ascânio. A torcida vai para o Pai, pro Gibson, impecável vilão do José de Abreu. Gente, ele é muito bandido. E não apenas bandido por ser criminoso: ele é malvado de verdade, fala aquelas coisas que muitas pessoas pensam e não tem coragem, é irritantemente cruel e sarcástico, defende seus atos por sentimentos que aparentemente ele não tem. Dissimulado, engana todos ao seu redor.

E talvez seja isso que nos encanta: a liberdade que ele vive, sem limites, sem moral, sem ética. Daí a gente lembra da política atual (e não estou sendo partidária, tô generalizando mesmo!), pensa nas “personagens” da vida real, vê que qualquer semelhança não é mera coincidência e …

Vem a hora da torcida: a gente torce, sim, pra que ele se dê mal! Muito mal! Ou, de repente, torce pra que ele fuja do Paí dando uma banana pra gente.

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Autor: Poli Lopes

Jornalista diplomada, passei por agência de marketing digital, jornal, rádio, revista e assessoria de imprensa, sempre escrevendo. Doutoranda e Mestre em Processos e Manifestações Culturais, também sou professora no MBA em Marketing Digital no Iergs (Uniasselvi). Sou apaixonada pelo que faço e também pelo meu marido e pelo meu cachorro.

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