Da semana: coisas que li e curti [1]

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Assisti Stranger Things e adorei. Já quero 2017 e a nova temporada, principalmente depois desse texto que questiona várias coisas e lança uma nova visão sobre o mundo invertido: seria esse espaço o futuro?

Essa notícia não é daquelas que vai mudar o mundo, óbvio. Mas é das que vai mexer com seu próprio mundo interno. A saída de Pedro Bial e a entrada de Tiago Leifert no comando do BBB não mudará a vida de ninguém (pelo menos, espero!) mas vai mudar a forma como um programa que ainda está consolidado na grade da maior emissora do País – e que, apesar da queda da tradicional audiência “tv ligada”, a qual é mencionada ano após ano apesar de todos sabermos que ela sozinha não diz mais muita coisa, gera um buzz gigantesco nas redes sociais (lembremos das investigações da vida dos participantes nas redes sociais e da galera shipando casal antes mesmo do programa entrar no ar, além das maratonas de votos, dos memes, dos bordões que são repetidos à exaustão). E fica a pergunta: como serão as eliminações sem a eterna tentativa de entender os textões reflexivos-emotivos do Bial?

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Mês passado, a iminência de entregar meu projeto de pesquisa e um evento sobre estudos de recepção me fizeram ter um novo olhar sobre a tese. Por que, ao invés de analisar apenas telenovela, não focar em narrativas ficcionais de tv? Assim, poderia adentrar no mundo das séries e das experimentações que as emissoras (no meu caso, a Rede Globo) vem fazendo para atingir a um público que cada vez menos fica efetivamente sentado na frente da telinha e cada vez mais transforma o Twitter nesse grande sofá. Achei que a nova série, Justiça, seria uma boa escolha e, depois da estreia e desse texto do Nilson Xavier, vi que acertei. 🙂

Quando eu sai da agência para me dedicar ao Doutorado, foi porque eu teria o suporte – emocional e financeiro, claro! – de alguém que me ama, que acredita nos meus objetivos e que vê esse meu tempo “em casa” como um investimento. E o fato de eu não estar numa empresa não significa que eu não trabalhe, os frilas e a sala de aula estão aí pra provar isso. Não foi uma questão de felicidade, foi de foco e prioridades. Eu era feliz na agência, assim como sou feliz misturando tese-artigos-aulas-docência-mídia-conteúdo-marido-casa-cachorros. Antes eu já fazia tudo isso, agora apenas faço diferente. E não vejo essa mudança – que fará um ano daqui uns dias – como “encontrar o sucesso no pedido de demissão”.  Sucesso eu tinha lá, sucesso eu tenho aqui. Pensei nisso a partir desse texto da Yasmin Gomes. Vale a leitura!
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O admirável mundo das séries

Este texto foi originalmente publicado no Medium em fevereiro de 2016. É um dos que mais amo, então tá aqui também! Desconsiderem a fala do “Carnaval”, mas a dica #maratonem


Hoje eu resolvi escrever sobre as séries que estamos acompanhando aqui em casa. Mais do que listá-las, quero contar porque cada uma delas está nesta lista. Vale como dica pra quem, como nós, não terá Carnaval! Vale maratonar, todas podem ser encontradas online!

THE BLACKLIST

Somos fãs do Red, adoramos a forma como ele lida com os crimes — os que comete e os crimes dos outros. É o tipo de protagonista que vem ganhando espaço nas novelas: nem bom, nem mau, apenas humano. Sabe que o que faz é errado, mas acredita no que faz. Manipula, envolve, joga o tempo todo. E também ama: porque se não for amor o que ele sente pela Lizzy, não sei mais o que amar…

HTGAWM

Não sei o que falar, apenas sentir… Essa frase da Roberta Miranda resume minha paixão por Anallise Keating e seus pupilos. How To Get Away With Murder surpreende em todos os episódios. O ritmo louco da narrativa, que sempre volta ao case da temporada e vai revelando aos poucos o centro de tudo, faz com que a gente fique na expectativa. Status: apenas esperando 11 de fevereiro e a volta da temporada!

CRIMINAL MINDS

Criminal Minds, como o próprio nome indica, analisa a mente das pessoas. O foco são os assassinos em série, psicopatas…, mas a análise vai além disso. É uma aula de análise do comportamento humano. E tudo sob a supervisão do cara sério, o paizão, o queridinho genial, a nerd, o fortão, a mãe e a mulher independente. Mas não pense em estereótipos. Assim como a gente, as personagens não são apenas estas definições aí: partimos disso para aprofundar o comportamento humano dos detetives e dos criminosos.

QUANTICO

Nossa, mais de FBI, investigação, crime, atentados, personalidades dúbias, essas coisas… Não acho lá graaaandes coisas, mas a curiosidade em saber quem é o terrorista não me deixa desistir da série e aguardar a volta da temporada. Mas este é o tipo de série que sempre me faz pensar: eles vão nos enrolar muito? Como será uma segunda temporada?

THE 100

Ok, The 100 passa na MTV Brasil e claramente é uma série mais teen. Mas isso não nos fez perder a curiosidade do que vai rolar na terceira temporada — desde que não vire uma coisa meio Lost. :/ Jovens criados em uma estação espacial voltam pra descobrir se a Terra suporta vida humana e, quando chegam, descobrem que há vida. Tem toda uma discussão sobre gerações, liderança, conhecimento… Apenas por estes debates já vale o tempo investido!

Por que nós amamos os vilões?

Aviso: este texto eu publiquei no Medium em fevereiro de 2016. Está na lista dos que mais gostei e que, por isso, estão vindo pra cá! Espero que você se divirta com a leitura!


Ok, esse amor é meu. Mas sei que não tô sozinha!

Sou de Humanas, sou problematizadora. #diferentona

Brincadeiras à parte, gosto de analisar meus hábitos e ideias, principalmente quando vejo que a loucura não é apenas minha. E a paixão pelos vilões, super em alta nos dias de hoje, é uma dessas manias que tenho desenvolvido.

Gosto de alguns mocinhos, como o Dr. Spencer Reid, do Criminal Minds, mas ele é um mocinho um tanto… estranho! Então não conta!

Noveleira que sou, chamo até hoje todos os personagens da Renata Sorrah de Nazaré (e não mais de Heleninha Roitman). E, como muitos por aí, fico esperando ela jogar algum desafeto pela escada.

A pesquisadora Ana Maria Figueiredo (2003) afirma que a personagem é a peça fundamental da narrativa (seja em livro, seja em vídeo), porque são elas que amarram a história. É o entrelaçamento das personagens em um enredo que retem a atenção nossa atenção.

Aí vem o pulo do gato. Cada vez menos sonhamos com o mundo de princesas, de ser a boazinha que se ferra até o final, quando (nem sempre) dá a volta por cima.

 

Antônio Candido (1988) diz que as personagens são

“seres humanos de contornos definidos e definitivos, em ampla medida transparentes, vivendo situações exemplares de um modo exemplar”.

Mas vejam só: ser exemplar, para ele, não é necessariamente uma característica positiva: a personagem pode ser exemplar para o bem ou para o mal, desde que esteja integrado em um denso tecido de valores, a partir dos quais age.

Ou seja, quando admiramos aquele vilão mais FDP, aquele que faz tudo errado mas que o faz porque acredita ser o certo, ou porque foi a única forma de vida que ele aprendeu, ou ainda porque quer se dar bem — e quem não quer? — é porque esse tecido de valores foi bem tramado.

Vejamos, hoje: a novela A Regra do Jogo tem Juliano e Romero.

Juliano é aquele mocinho que quer fazer tudo certo. Foi preso injustamente. Cumpriu 4 anos. Idolatrava um pai sofrido que na verdade é bandidão. Sempre fez as coisas do jeito certo e sempre se deu mal.

Já o Romero é uma “vítima do sistema”. Foi criado por um cara de caráter beeem duvidoso — Ascânio, do maravilhoso Tonico Pereira — com quem aprendeu a roubar, enganar. Doente, seguiu enganando e agora, no final, parece querer se redimir — ainda que de um jeito errado.

Pra quem nós torcemos? Quem admiramos?

 

Nem Romero, nem Ascânio. A torcida vai para o Pai, pro Gibson, impecável vilão do José de Abreu. Gente, ele é muito bandido. E não apenas bandido por ser criminoso: ele é malvado de verdade, fala aquelas coisas que muitas pessoas pensam e não tem coragem, é irritantemente cruel e sarcástico, defende seus atos por sentimentos que aparentemente ele não tem. Dissimulado, engana todos ao seu redor.

E talvez seja isso que nos encanta: a liberdade que ele vive, sem limites, sem moral, sem ética. Daí a gente lembra da política atual (e não estou sendo partidária, tô generalizando mesmo!), pensa nas “personagens” da vida real, vê que qualquer semelhança não é mera coincidência e …

Vem a hora da torcida: a gente torce, sim, pra que ele se dê mal! Muito mal! Ou, de repente, torce pra que ele fuja do Paí dando uma banana pra gente.