Da semana: coisas que li e curti [2]

Minha ideia era publicar esse resumão semanalmente, pois os assuntos ficam velhos e caem no esquecimento. Mas a semana passada foi tão louca, mas tão louca, e emendou numa loucura nessa semana também, que fui juntando os links e não publiquei.
Mas hoje vai!
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Como dona de um cachorro que viveu conosco por um ano e morreu atropelado e, agora, como dona de dois outros cachorros que nos acompanham há oito e sete anos, eu chorei lendo esse texto.
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Parabéns à Bruna Paese por esse texto, super sensato, sobre empreender.
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A internet, como a conhecemos, completou 25 anos (ou seja, “nasceu” em 1991). Meu primeiro acesso à internet foi na faculdade, lá nos idos de 1996. Nessa época, nem computador em casa eu tinha e, depois que comprei um, em suaves prestações, acessava internet discada. Entender essa história é importante para ver de onde viemos e, principalmente, para onde estamos indo.
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Vivemos um tempo em que tudo é lindo e dá certo. Pelo menos é isso que nós mostramos em nossas postagens. Por isso, este texto da Adri Amaral me tocou muito, ao mostrar quem nem sempre é assim e que isso é, sim, muito normal.
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Golden circle e o propósito daquilo que fazemos

Na palestra/conversa que o Rafael Martins, que é o cara por trás dos Eventos Share, teve na minha turma de Empreendedorismo Digital no pós em Marketing Digital no IERGS, ele falou sobre como Simon Sinek e seu golden circle fizeram a diferença na hora de pensar o “negócio”.

Fui atrás e vi inicialmente esse vídeo, que sintetiza a ideia e reforça a importância do propósito na hora de pensar em fazer algo.

“As pessoas não compram o que você faz, mas o porquê você faz.”

Estruturalmente, a Apple é igual a qualquer empresa que produz computadores. Mas ela se posiciona de forma diferente. Não se vende como uma empresa que faz equipamentos bons e bonitos.

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WHY – Queremos desafiar o status quo, queremos fazer diferente. É o PROPÓSITO!
HOW – fazemos isso entregando produtos muito bem projetados, fáceis de usar e com interface amigável. É o PROCESSO!
WHAT – dessa forma, fazemos excelentes computadores. Quer um? É o RESULTADO!

Como diz Sinek, o “ouro” está em fazer negócios com todos que acreditam na mesma coisa que você. Fazer negócios com quem pode comprar o que você faz te posiciona como mais um que entrega determinado produto ao mercado.

Pensei bastante nessa ideia e comecei a tentar enxergar, na minha vida, o propósito das decisões. Por que eu faço doutorado? Por que a vida acadêmica é importante pra mim? Por que eu quero dar aulas? São várias respostas, entrelaçadas, que passam longe do simplismo de afirmações que já ouvi como “quer dar aula porque quer trabalhar pouco” ou “porque é fácil ganhar dinheiro assim” ou, ainda, faz doutorado e acredita na vida acadêmica porque “não quer ‘sair da escola e crescer” e “quer ficar apenas estudando”.

Não é isso e, ao mesmo tempo, é bem mais do que isso. É acreditar no valor do conhecimento, em como ele pode mudar a minha vida (com o doutorado) e a de outras pessoas (na sala de aula). É acreditar que as trocas, os debates, as leituras, fazem de todos nós pessoas melhores, mais esclarecidas em relação ao mundo, até menos “governadas” por forças externas.

É, acima de tudo, acreditar que pensar (e refletir criticamente sobre o que acontece), conhecer (outras realidades que não sejam a nossa) e entender (como o mundo funciona) são verbos que nos tornam melhores cidadãos, mais responsáveis e conscientes dos nossos atos e escolhas.

E você? Onde está o “ouro” da sua vida? Por que você faz o que você faz?

Bate boca nas redes e o meu EU bom ideal

Em tempos de pessoas opiniões tão rígidas, muito enfrentamento e pouca conversa e troca de ideias, percebo também (e não devo ser a única, claro!) a ascensão de pensadores, sejam eles historiadores ou filósofos, acerca do nosso comportamento.
O que me parece é que, sim, queremos ser os donos da verdade, não aceitamos a opinião do outro se ela for diferente da nossa mas, ao mesmo tempo, queremos entender porque agimos assim.

Adoro essa reflexão do Leandro Karnal sobre o nosso comportamento. É fácil, mesmo, deixar de seguir alguém que nos irrite (eu já fiz isso, admito!). Mais fácil ainda é bloquear ou cancelar uma amizade (usando aqui o termo amizade como reprodução das redes, pois uma amizade verdadeira não dá pra simplesmente cancelar clicando num botão) porque aquela pessoa diz coisas que eu não gosto de ouvir. Cancelamos no Facebook, mas a pessoa continua aí, na rua. Quando encontrarmos ela na fila do mercado, faremos o que? Diremos a ela “não sou mais teu amigo porque tu é chato-feio-bobo e disse tal coisa”, como fazíamos na quinta série?

Há tempo não há distinção entre real e virtual. Tudo é uma coisa só. O virtual é mais uma representação da nossa pessoa. É nele que eternizamos o bom, o que queremos que os outros vejam. E é pensando nesse “eternizar” que me questiono: quando eu bato boca com uma pessoa num post, estou mostrando um lado meu radical – ou intolerante – que também fica ali, registrado. Esse é meu lado “bom”? Claro que eu acredito que sim, porque acredito que estou certa. Mas eu estou? Há certeza? Há apenas um lado? São nessas coisas que eu fico pensando quando vejo uma palestra (ou assisto um vídeo) que questiona o nosso comportamento.

Dica: Coisas que a gente cria, podcast da Bárbara Nickel

Hoje fui “passear” de trem e resolvi fazer uma coisa diferente. Peguei meus fones e, ao invés de abrir as minhas músicas de sempre, resolvi ouvir podcasts. Meu pensamento foi “quero algo que acrescente, que me diga algo mesmo” e optei por esse:

http://www.coisasqueagentecria.com/

Resolvi começar pelo podcast da Cris Lisbôa, do Go, Writers e preciso dizer: fiquei en-can-ta-da! Primeiro, com a forma como a Bárbara Nickel, jornalista responsável pelas entrevistas, conduz a conversa. É tudo tão leve, tão fluido, que eu me sentia sentada ao lado delas, tomando um café.

Já a Cris Lisbôa, geeente, que coisa mais amor! Já quero ser amiga dela! 😀 Talvez porque eu tenha identificado muito de mim nela – alguém que ama escrever, que fez jornalismo pra escrever, que leva as palavras à sério e que fala palavrão – ou talvez apenas porque ela parece querida. (aproveitando, acessem o link do postcast, ouçam – claro! – e peguem as referências literárias que estão listadas no post).

Daí na volta, novamente no trem, resolvi ouvir a conversa com a Roberta Hentschke, da Bora Design de Negócios. Outro papo maravilhoso, cheio de dicas sobre empreendedorismo pra levar pra vida (e não necessariamente pros negócios), sobre auto-conhecimento, sobre pensar em si, conectar as ideias…

Então, assim: recomendo o podcast Coisas que a gente cria. Assinem, ouçam, divirtam-se (como eu me diverti, a louca rindo sozinha no trem!) e aprendam. Porque conhecer pessoas e ouvi-las sempre traz algo de bom pra gente.

Sobre redes, grana, Facebook e outras ideias

Vim aqui dar meus pitacos sobre alguns textos que andei lendo na semana, dessa vez direcionados ao que faço nas horas vagas: produzir conteúdo pra internet.

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Facebook é mídia (o Instagram também)

Tá, mas qual a novidade nisso? Todo mundo (mesmo?) já está cansado de saber que, sem dinheiro, uma página no Facebook não vai pra frente. Mas eu acho válido insistir nisso.  Há alguns dias, algoritmo do Facebook mudou de novo, privilegiando a entrega de posts de pessoas. Instagram também mudou, entrega por relevância e não mais em ordem cronológica.

Acabou, faz tempo, a vida fácil de atingir uma galera com um post meia boca. Tem que focar, tem que planejar, tem que ter objetivo e, principalmente, tem que ser humano, parecer gente. Marca? Não! Tem que ir além da PJ e se mostrar um pouco, pelo menos, PF.

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É preciso saber investir

Sim, isso também é regra batida. Mas, em tempos de posts feitos a la loca atrás de um possível engajamento que faça a mensagem chegar a mais gente, tem que saber: não é porque entrou grana num post que ele vai engajar. Se ele for ruim, as pessoas não vão curtir, não vão compartilhar, não vão te ajudar a propagar a tua mensagem. Tem que saber com quem tu está falando (ou quer falar), o que essa pessoa gosta, conversa, se interessa.

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Tem que ter casa e base próprias

Fico aqui pensando naquelas empresas que tiraram o site do ar e migraram tudo pro Facebook… Que vida triste elas devem ter hoje! Afinal, os dados dos clientes não são dela. Elas não são o destino do clique – o Facebook é.

Cara, ofereça o teu melhor para o teu consumidor. Dê a ele mais do que ele espera. Ele espera ação, bom atendimento, informação, conteúdo de qualidade, coisas que ajudem efetivamente o seu dia a dia. Posts de gatinho podem ajudar a melhorar os números de um relatório, mas é disso que a tua empresa precisa? Números bonitos no feice? E dinheiro, ninguém quer?

Um site também permite conhecer hábitos do público. Permite centralizar tuas ideias em um espaço que é teu, sobre o qual tu tem domínio. Tem que estar bem ranqueado nas buscas. Se o conteúdo é bom, atende aos anseios de quem te procura, o consumidor clica no teu link e gosta o que tu oferece, ele pode, sim, te deixar um e-mail pra receber mais “coisas boas” depois.

Mas lembre que saber usar uma lista de e-mails também é importante: assim como não há mais espaço pra post sem sentido no Facebook, não há lugar para e-mail marketing sem sentido, sem objetivo e sem conteúdo que agregue e agrade.

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Não é preciso estar em todos os lugares

Uau! Galera está no snap, também quero. Pra que? O que estar em uma nova rede vai te agregar? Como será a produção desse conteúdo? Snapchat é diferente, é real time, é bastidores, é gente como a gente, é ser humano. Tua empresa está preparada pra isso, vai saber atender estas particularidades, ou vai apenas fazer mais do mesmo e não ser relevante? Pense!

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Um negócio NÃO PODE ter apenas um meio de comunicação com seu cliente

Ontem bloquearam o Whatsapp de novo. Não quero discutir, aqui, se isso é certo ou errado. Porque o maior erro está naqueles que aparecem nas reportagens sobre os impactos do bloqueio dizendo nossa, perdi dinheiro e oportunidades, porque uso o whats pra trabalho e é com ele que falo com meus clientes!

Gente, 2016, mil maneiras de se manter em contato com pessoas e tu coloca tudo na mão de uma plataforma? Desculpa, tem mais é que se ferrar! Ele facilita, com certeza, ajuda a otimizar o tempo, falar diretamente com o cliente, mas ele não é a única possibilidade. Tem que distribuir os ovos em diferentes cestas, ter alternativas e mantê-las ativas.  E, quando a coisa apertar, se mexer ao invés de ficar reclamando que está mal. Se isso não for muito difícil, claro!

(Ainda) sobre o fim da mão única emissor-receptor

Antes, um aviso: eu escrevi este post em 2013 (ui, já faz três anos!). Hoje, parei pra reler e vi que não mudou muita coisa. E como estou aos poucos trazendo outros textos que escrevi pra cá (lembra que fiquei um tempo fora desse blog?), achei que este merecia uma atenção.


“Para se comunicar é preciso ter mais diálogo. Estamos voltando ao diálogo depois de 50 anos de monólogo.” 

Walter Longo, do Grupo Newcomm

Quem vive o dia a dia da internet já entendeu que a comunicação como conhecemos (ou estudamos nos anos 1990 e 2000) não existe mais. O conceito simplificado em que o emissor manda uma mensagem para o receptor, que pode ou não emitir uma resposta, não existe mais. Hoje, todos são emissores e receptores ao mesmo tempo, inclusive os veículos de comunicação. E adaptar-se a essa realidade, entender que as pessoas também são formadores de opinião, parece muito complicado para algumas empresas. Digo isso depois de ver a seguinte imagem hoje pela manhã na minha timeline:

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Onde está a relação, a conversa? Se o veículo em questão não gosta/concorda/sente-se ofendido com as críticas e comentários do seguidor, falou com ele sobre? Ofereceu algum atendimento  especial? Tentou converter esse crítico em fã? (considero que o problema sejam críticas e brincadeiras feitas pelo seguidor, visto que se fossem elogios não haveria block)

Vejo  – não só neste caso, mas em muitos por aí – que as empresas não estão prontas para ouvir, assimilar, refletir sobre o que de bom e de ruim é dito sobre sua empresa. É mais fácil apagar uma crítica do que respondê-la. É mais fácil impedir quem te critica de falar contigo do que tentar inverter um quadro negativo. E muitos fazem isso. Sad but true.

Já ouvi de uma grande empresa que “ainda não é a hora de entrar nas redes sociais”. Ok, e será quando? Quando as pessoas “queimarem” a sua marca com críticas e comentários negativos por algum problema com seu produto? Quando sua empresa deixar de aproximar-se ainda mais daquele super cliente, que advoga a favor da sua marca? Quando a concorrência fizer a parte dela e

Estar nesse meio não é somente compartilhar imagens legais e dar prêmios.  Na verdade, é muito mais do que isso. É saber ouvir (especialmente críticas), é mediar debates, é conversar muito, é aprender com o cliente, é informar (sobre produtos, sobre o mercado, sobre o mundo, de repente!) e formar (bons cidadãos, novos clientes e fãs). Mais do que likes e shares, mais do que números, as redes sociais são exatamente isso: uma relação em rede, conexões, sociedade.

[Resenha] O mundo mudou…

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O livro, a bagunça da minha mesa e todos os post-its nos trechos que mais gostei!

 

Dado Schneider foi a minha novidade do Encontro Locaweb de Profissionais de Internet, que ocorreu em Porto Alegre (RS). Claro que já tinha ouvido sobre ele: o cara da Claro! Mas nunca tinha ouvido ele. E adorei!

Comunicação não é Emissão: Comunicação é Recepção! Uma Comunicação somente ocorre quando há Recepção da mensagem por parte do Receptor.

(p. 67)

Tanto que na semana seguinte, passeando pela livraria, comprei “O mundo mudou… bem na minha vez!”. Leitura rápida e simples – mas não simplista.

Vivemos uma das mais extraordinárias fases de mudanças dos últimos quinhentos anos. Quando nos estudarem, daqui a duzentos anos, isso será mais perceptível.

(p. 25)

Dado revisita vários posicionamentos que nós, os não-nativos digitais, assumimos no dia-a-dia.

A Geração Z é a deste milênio. A Geração Y são os nascidos entre 1981 e 2000. A Geração X, de 1962 a 1980 e a Geração Baby Boomer de 1945 a 1961. Enquanto a Geração Silenciosa é a de antes de 1945.

(p. 30)

E cutuca na ferida, mas de um jeito leve – que belisca – ou seja, dói um pouco, daquela dorzinha que fica ali remoendo.

Só atrai a atenção o que é Relevante. Só o que interessa é Relevante. E só o que é Relevante interessa. Comunicação é sinônimo de Relevância.

(p. 70)

O engraçado – do livro e da palestra que assisti – é que Dado apresenta o conteúdo, suas ideias, a partir de um conceito de liderança. Não vejo ele ensinando. Vejo ele compartilhando, passando parte do seu conhecimento. Por isso ele prende a nossa atenção.

Adesão pressupõe admiração, pois ninguém adere ao que não admira. Baseada nisso, toda Liderança, hoje, deve buscar adesão – e não a antiga Coação.

(p. 80)

Tudo isso faz parte do marketing dele. Afinal, “Marketing tem ideia de movimento” (p. 49) e vejo que ele – o marketing – se movimenta tanto quanto Dado no palco. É esse movimento que faz a diferença. É esse movimento que convence, que faz tirar o cartão do bolso. Porque o marketing, hoje, é mais do que mostrar, fazer entrar na loja, convencer a comprar uma vez.

Marketing é recompra. Marketing não trata apenas de tudo o que se deve fazer pra que alguém compre: é fazer de tudo pra que o cliente volte a comprar.

(p. 49)

Re-comprar.

Re-tornar.

Re-fazer.

Mais importante do que o ato, só o hábito. Porque não adianta vender apenas uma vez, é preciso focar na continuidade da relação. Coisa que não é nem um pouco fácil nesses tempos de ofertas instantâneas e simultâneas, da busca dos melhores benefícios… Para isso é preciso ser bom.

O vendedor moderno não faz vendas, ele gera compras. Quem atua como orientador de cliente conquista mais preferência de parte dele. E mais compras.

(p. 61)

Alguns que lerem esse texto podem pensar “bah, que puxa-saco, encheu a bola do guru”. Pois bem, não é isso. Aqui deixo impressões, penso em cima do que li e ouvi. Até porque não gosto de gurus, de pessoas que vejo assumir – ou se venderem com – essa postura de “saber mais”, de “estar por cima dos outros”. E uso o próprio Dado pra dizer porque:

Você não é uma marca. Você não é um produto. Você é uma pessoa. E deve procurar conquistar os outros como uma pessoa – e não como marca.

(p. 139)