[Resenha] Meia-noite e vinte

Eu fui literalmente sequestrada pelo Daniel Galera numa noite de domingo.

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Foi mais ou menos assim mesmo…

Despretensiosamente, peguei o Meia-Noite e Vinte pra começar a ler. E não parei até terminar. Gente, que história maravilhosa!!!

A primeira coisa que me chamou a atenção foi a contemporaneidade. Ao mesmo tempo que a história é, sim, uma ficção, ela se passa numa Porto Alegre que existiu. Que viveu o verão mais quente (e 2014 teve, sim, um verão infernal, eu lembro) acompanhada de uma greve dos ônibus, tudo logo depois das manifestações de junho de 2013. E tudo isso aparece na narrativa.

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As personagens caminham por ruas que eu conheço. Fazem menção a lugares e eventos, tanto do presente quanto do passado, que eu posso não ter vivido diretamente – por não morar em Porto Alegre – mas que eu sei que existiram, que bombaram, que fizeram alguma diferença na vida de uma juventude que viveu os anos 1990 e 2000 por lá.

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Mas, o que fez eu me apaixonar ainda mais pelo livro foi a narrativa! Daniel Galera nos faz refletir, ao seu modo, sobre as controvérsias da vida. Os caminhos que escolhemos. A história tem uma doutoranda ferrada, um idealista que se “vendeu” ao sistema, o cara que vive de frilas, e o amigo que morre. Sei lá em quantos momento me vi nas personagens, seja em momentos felizes – como, de certa forma, foi o reencontro – ou nos tristes – quando cada um enfrenta seus demônios, toma decisões, faz descobertas sobre sentimentos escondidos.

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E o livro me trouxe várias lembranças legais, também. As personagens são amigos de juventude e, juntos, escreveram um e-zine no início dos anos 2000. Algo que o próprio Daniel Galera fez, também, na mesma Porto Alegre que ele apresenta no texto. Achei incrível a forma como ele conseguiu fazer uma ficção que é, ao mesmo tempo, tão real.

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Os trechos que eu escolhi pra ilustrar esse texto mostram um pouco dessa “realidade” que aparece na narrativa. Fugi de spoilers, apenas quis apresentar um pouco do que me encantou.

Camila ou @claraaverbuck? Eis a questão…

Eu trouxe o Toureando o Diabo pra casa em abril, depois da Oficina de Escrita Criativa da Clara Averbuck no Conexões Globais. Aquela tarde foi divertida: um bando de mulheres em uma sala trocando alegrias, tristezas, lembranças, ideias…

oficina de escrita criativa com clara averbuck

Daí que ontem resolvi finalmente “encarar o capeta”. E foi demais! O Toureando o Diabo é lindo! É intenso. É pesado. É real. Consegue ser triste e engraçado, ao mesmo tempo. Rir das histórias da Camila – a protagonista narradora – é rir da própria desgraça, da própria existência. Sei lá quantas vezes pensei, no meio da leitura, “é bem assim”…

toureando o diabo, clara averbuck

Em vários momentos fiquei me perguntando quem está ali: Camila? Clara? Quem é quem na fila do pão? Sei, claro, que personagens assim tão intimistas acabam trazendo – MUITO – da escritora. Mas até onde é real e é ficção? É tudo inventado? É tudo vivido? Esse tom intimista e REAL permite e provoca essa dúvida.

Em determinado momento, vem o questionamento, impresso em uma das páginas:

Não acontece nada?

Não acontece nada neste livro?

Não tem história?

Não tem heroína?

Não tem salvação?

Não tem redenção?

Não!

Desculpe, Clara/Camila, mas sim, tem tudo isso. E mais: tem uma heroína foda. Porque uma mulher que VIVE e BUSCA e TENTA é a heroína da própria existência.

A leitura acabou e eu fiquei querendo mais. Mais textos pra ler, mais caderninhos pra escrever, mais pessoas pra falar sobre as aventuras e desventuras da vida. As palavras da Camila são inspiradoras, fluem fácil e dão aquela vontade louca de escrever sem parar…

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Além dos textos, as ilustrações da Eva Uviedo tornam o livro ainda mais forte. As imagens retratam de forma maravilhosa as palavras da Clara e os pensamentos da leitora. ❤

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Sobre a escrita [uma resenha]

Todo mundo conhece Stephen King, mesmo sem saber. Afinal, ele é o pai dos livros que inspiraram os clássicos filmes de suspense e terror O Iluminado,Cemitério maldito, It (nossa, como eu tenho medo desse palhaço!), Carrie, a Estranha e Under the dome. Segundo a lista da Forbes que o @blog-do-beco publicou, ele é um dos 10 escritores mais bem pagos do mundo, empatado com a mãe do Harry Potter.

Uma das maravilhosas histórias que Mr. King conta está em Sobre a Escrita — A Arte em Memórias, que li na semana passada.

#leião, ok!

Dividido em três partes (que na verdade equivalem a duas), King conta a origem de sua escrita, o que em seu passado influenciou em sua formação de escritor e como se tornou o best-seller que é hoje. Da infância nômade com a mãe e o irmão ao casamento com a colega de faculdade (que se tornou sua maior incentivadora e Leitora Ideal), passando também pelo rascunho de Carrie, A Estranha resgatado por ela do lixo (livro que alçou Stephen ao sucesso!) e o vício em drogas e álcool, tudo é relatado para mostrar que pode não ser fácil, pode parecer impossível, mas que dedicação, empenho e foco ajudam a chegar lá!

Cada um com a sua bagunça, certo?

Na segunda parte, King faz um manual de escrita. Ele conta, em detalhes, o que vai em sua caixa de ferramentas de escrita. Os elementos de estilo, parágrafos, ritmo, personagens, criatividade… Tudo é detalhado para ajudar quem quer desenvolver a escrita. Claro que ele não entrega o ouro, até porque talento é algo que uns têm e outros não — apesar de ele defender que um escritor comum pode se tornar um bom escritor.

A base de tudo, para King, é ler muito e escrever muito!

  • Ele sugere que se leia porque gosta e não apenas porque é trabalho, tanto coisas boas quanto ruins, o que ajuda a refinar a escrita e o estilo.
  • Ele sugere escrever para praticar em um local adequado, tendo um cronograma que permita o cumprimento de metas diárias. Afinal, é uma profissão!

Lá no final, ele ainda apresenta duas versões do 1408, produzidas na forma que ele recomenda: a primeira, escrita à porta fechada (sem parar, direto, sem pitacos de terceiros) e a segunda, de porta aberta (depois de terminada a obra, ele indica deixa-la descansar por umas seis semanas, numa gaveta, e só ser revisada depois desse período, de cabeça fresca), rabiscada e editada. É essa segunda versão que ele distribui pra sete ou oito Leitores Ideais, que indicarão o certo e o errado no texto.

Neste ponto, ele lembra:

1ª versão(-) 10% = 2ª versão

A terceira parte, que acaba sendo parte da primeira, ele conta sobre o atropelamento que quase o matou, a recuperação e o processo de escrita deste livro.

Pra fechar, publico aqui o último parágrafo, que sintetiza tudo:

PARA FICAR FELIZ, OK?


Esse texto foi publicado originalmente no Medium, mas gosto tanto dele que resolvi trazê-lo pra cá!

[Resenha] O mundo mudou…

dado schneider o mundo mudou bem na minha vez
O livro, a bagunça da minha mesa e todos os post-its nos trechos que mais gostei!

 

Dado Schneider foi a minha novidade do Encontro Locaweb de Profissionais de Internet, que ocorreu em Porto Alegre (RS). Claro que já tinha ouvido sobre ele: o cara da Claro! Mas nunca tinha ouvido ele. E adorei!

Comunicação não é Emissão: Comunicação é Recepção! Uma Comunicação somente ocorre quando há Recepção da mensagem por parte do Receptor.

(p. 67)

Tanto que na semana seguinte, passeando pela livraria, comprei “O mundo mudou… bem na minha vez!”. Leitura rápida e simples – mas não simplista.

Vivemos uma das mais extraordinárias fases de mudanças dos últimos quinhentos anos. Quando nos estudarem, daqui a duzentos anos, isso será mais perceptível.

(p. 25)

Dado revisita vários posicionamentos que nós, os não-nativos digitais, assumimos no dia-a-dia.

A Geração Z é a deste milênio. A Geração Y são os nascidos entre 1981 e 2000. A Geração X, de 1962 a 1980 e a Geração Baby Boomer de 1945 a 1961. Enquanto a Geração Silenciosa é a de antes de 1945.

(p. 30)

E cutuca na ferida, mas de um jeito leve – que belisca – ou seja, dói um pouco, daquela dorzinha que fica ali remoendo.

Só atrai a atenção o que é Relevante. Só o que interessa é Relevante. E só o que é Relevante interessa. Comunicação é sinônimo de Relevância.

(p. 70)

O engraçado – do livro e da palestra que assisti – é que Dado apresenta o conteúdo, suas ideias, a partir de um conceito de liderança. Não vejo ele ensinando. Vejo ele compartilhando, passando parte do seu conhecimento. Por isso ele prende a nossa atenção.

Adesão pressupõe admiração, pois ninguém adere ao que não admira. Baseada nisso, toda Liderança, hoje, deve buscar adesão – e não a antiga Coação.

(p. 80)

Tudo isso faz parte do marketing dele. Afinal, “Marketing tem ideia de movimento” (p. 49) e vejo que ele – o marketing – se movimenta tanto quanto Dado no palco. É esse movimento que faz a diferença. É esse movimento que convence, que faz tirar o cartão do bolso. Porque o marketing, hoje, é mais do que mostrar, fazer entrar na loja, convencer a comprar uma vez.

Marketing é recompra. Marketing não trata apenas de tudo o que se deve fazer pra que alguém compre: é fazer de tudo pra que o cliente volte a comprar.

(p. 49)

Re-comprar.

Re-tornar.

Re-fazer.

Mais importante do que o ato, só o hábito. Porque não adianta vender apenas uma vez, é preciso focar na continuidade da relação. Coisa que não é nem um pouco fácil nesses tempos de ofertas instantâneas e simultâneas, da busca dos melhores benefícios… Para isso é preciso ser bom.

O vendedor moderno não faz vendas, ele gera compras. Quem atua como orientador de cliente conquista mais preferência de parte dele. E mais compras.

(p. 61)

Alguns que lerem esse texto podem pensar “bah, que puxa-saco, encheu a bola do guru”. Pois bem, não é isso. Aqui deixo impressões, penso em cima do que li e ouvi. Até porque não gosto de gurus, de pessoas que vejo assumir – ou se venderem com – essa postura de “saber mais”, de “estar por cima dos outros”. E uso o próprio Dado pra dizer porque:

Você não é uma marca. Você não é um produto. Você é uma pessoa. E deve procurar conquistar os outros como uma pessoa – e não como marca.

(p. 139)