[alerta de textão] Saia da internet e vá ler um livro

Ai, gente, isso cansa! Cansa ter que explicar, sempre, que fazer uma coisa não significa não fazer outra. Daí vem a Barbara e me manda esse tweet:

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Camiseta close rrado. (E a descrição?) por @celsodossi

Pedirei ajuda à platéia e aos universitários para entender esse sintoma social que estamos vivendo: se eu gosto de novela, é porque sou burra/alienada e não leio um livro. Se eu sou acadêmica, é porque sou “erudita” e não posso curtir coisas do popular. Passar o dia na internet pesquisando me faz mais burra do que pesquisar nos livros.

Apenas parem!

Mais cedo, tinha lido esse texto do Ticiano Osório para a Zero Hora (“olha lá, ela tá usando texto da ZH, essa coxinha pro-Temer!”), no qual ele destaca:

Tem sido um exercício diário de tolerância abrir o Facebook e ler tantos posts de rotulagem ou desqualificação, de desrespeito ou de ódio. […] Não existe meio-termo, não existe equilíbrio, não existe o cinza e sua riqueza de variações, a civilidade de suas variações.

Não há como ser um só, ter um lado só. Somos fragmentados, somos construídos em contextos diversos, convivendo em ambientes múltiplos. Como diz Hall, o sujeito pós-moderno não tem uma identidade fixa, essencial ou permanente. Ela é móvel, formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados nos sistemas culturais em nosso entorno. Assim, temos diferentes identidades em diferentes momentos. E elas não são necessariamente unificadas em um “eu coerente”. Elas são contraditórias e nos jogam pra diferentes posições, deslocando nossas identificações.

Aceitar que nem todos pensam como nós e que nem sempre o que parece efetivamente é pode não ser fácil, pode exigir muito de nós enquanto sujeitos constituídos, mas é possível. Basta derrubar as certezas, as verdades que acreditamos, e dar uma chance às verdades do outro.

A partir de Bakhtin, lembro que a comunicação verbal entre duas pessoas (EU e TU) não se finaliza em um ato passivo de percepção e compreensão por parte do ouvinte. Quando alguém fala, o outro recebe e compreende a significação do discurso e tem em relação a ele uma atitude responsiva ativa, ou seja, ele concorda, executa e responde – ou não. Inclusive, explicitei um pouco mais sobre essa relação dialógica de forma mais simplificada aqui e, com mais complexidade, aqui.

Entendam, por favor, que nós podemos achar o Wagner Moura um baita ator e maratonar Narcos sem concordar com o que ele fala sobre a política nacional. Que a gente pode assistir os vídeos do Porta dos Fundos sem concordar com as falas do Gregório ou do Tabet. E que a gente pode, sim, ser super fã de uma banda de metal e se divertir ouvindo Raça Negra num churrasco regado à cerveja (ou sem cerveja, também, vai saber!). Viver com essas diferenças não vai destruir nossa identidade, não nos fará menos ou mais do que ninguém. Apenas nos fará sujeitos donos do próprio nariz. Simples assim!

 

 

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Golden circle e o propósito daquilo que fazemos

Na palestra/conversa que o Rafael Martins, que é o cara por trás dos Eventos Share, teve na minha turma de Empreendedorismo Digital no pós em Marketing Digital no IERGS, ele falou sobre como Simon Sinek e seu golden circle fizeram a diferença na hora de pensar o “negócio”.

Fui atrás e vi inicialmente esse vídeo, que sintetiza a ideia e reforça a importância do propósito na hora de pensar em fazer algo.

“As pessoas não compram o que você faz, mas o porquê você faz.”

Estruturalmente, a Apple é igual a qualquer empresa que produz computadores. Mas ela se posiciona de forma diferente. Não se vende como uma empresa que faz equipamentos bons e bonitos.

golden circle - simon sinek

WHY – Queremos desafiar o status quo, queremos fazer diferente. É o PROPÓSITO!
HOW – fazemos isso entregando produtos muito bem projetados, fáceis de usar e com interface amigável. É o PROCESSO!
WHAT – dessa forma, fazemos excelentes computadores. Quer um? É o RESULTADO!

Como diz Sinek, o “ouro” está em fazer negócios com todos que acreditam na mesma coisa que você. Fazer negócios com quem pode comprar o que você faz te posiciona como mais um que entrega determinado produto ao mercado.

Pensei bastante nessa ideia e comecei a tentar enxergar, na minha vida, o propósito das decisões. Por que eu faço doutorado? Por que a vida acadêmica é importante pra mim? Por que eu quero dar aulas? São várias respostas, entrelaçadas, que passam longe do simplismo de afirmações que já ouvi como “quer dar aula porque quer trabalhar pouco” ou “porque é fácil ganhar dinheiro assim” ou, ainda, faz doutorado e acredita na vida acadêmica porque “não quer ‘sair da escola e crescer” e “quer ficar apenas estudando”.

Não é isso e, ao mesmo tempo, é bem mais do que isso. É acreditar no valor do conhecimento, em como ele pode mudar a minha vida (com o doutorado) e a de outras pessoas (na sala de aula). É acreditar que as trocas, os debates, as leituras, fazem de todos nós pessoas melhores, mais esclarecidas em relação ao mundo, até menos “governadas” por forças externas.

É, acima de tudo, acreditar que pensar (e refletir criticamente sobre o que acontece), conhecer (outras realidades que não sejam a nossa) e entender (como o mundo funciona) são verbos que nos tornam melhores cidadãos, mais responsáveis e conscientes dos nossos atos e escolhas.

E você? Onde está o “ouro” da sua vida? Por que você faz o que você faz?

Dica: Coisas que a gente cria, podcast da Bárbara Nickel

Hoje fui “passear” de trem e resolvi fazer uma coisa diferente. Peguei meus fones e, ao invés de abrir as minhas músicas de sempre, resolvi ouvir podcasts. Meu pensamento foi “quero algo que acrescente, que me diga algo mesmo” e optei por esse:

http://www.coisasqueagentecria.com/

Resolvi começar pelo podcast da Cris Lisbôa, do Go, Writers e preciso dizer: fiquei en-can-ta-da! Primeiro, com a forma como a Bárbara Nickel, jornalista responsável pelas entrevistas, conduz a conversa. É tudo tão leve, tão fluido, que eu me sentia sentada ao lado delas, tomando um café.

Já a Cris Lisbôa, geeente, que coisa mais amor! Já quero ser amiga dela! 😀 Talvez porque eu tenha identificado muito de mim nela – alguém que ama escrever, que fez jornalismo pra escrever, que leva as palavras à sério e que fala palavrão – ou talvez apenas porque ela parece querida. (aproveitando, acessem o link do postcast, ouçam – claro! – e peguem as referências literárias que estão listadas no post).

Daí na volta, novamente no trem, resolvi ouvir a conversa com a Roberta Hentschke, da Bora Design de Negócios. Outro papo maravilhoso, cheio de dicas sobre empreendedorismo pra levar pra vida (e não necessariamente pros negócios), sobre auto-conhecimento, sobre pensar em si, conectar as ideias…

Então, assim: recomendo o podcast Coisas que a gente cria. Assinem, ouçam, divirtam-se (como eu me diverti, a louca rindo sozinha no trem!) e aprendam. Porque conhecer pessoas e ouvi-las sempre traz algo de bom pra gente.

Antes de tudo, é preciso paixão

O Rafa postou este vídeo. Vi há pouco e preciso falar já dessa ideia linda.

Sou filha de professora, neta de professor – e sou, além de editora de conteúdo, professora. Encontro minhas ex-professoras com uma certa frequência, até porque muitas delas são amigas da minha mãe. Tenho trocentas primas professoras, também.

Sempre entendi a docência como um dom, porque tem que amar muito uma profissão pra aguentar aquela gurizada pentelhando em uma sala de aula. Ter que implorar atenção, competir com a zoeira e a diversão ou com os brinquedos e os namoricos do pátio, cobrar atividades massantes relacionadas a conteúdos que até o professor pode achar chato mas que sabe que precisa ensinar.

Mas daí vejo isso:

Não há como evitar  a emoção! (ok, quase chorei aqui!)

Porque mais do que ser professora (ou seja, mais do que cumprir aquilo para que foi contratada), a personagem do vídeo foi bem além. Ela conseguiu unir a profissão à grande paixão da sua vida e, com isso, mudar a vida de pessoas. Imagino o orgulho que um professor sente quando vê seus pequenos tendo resultados positivos na vida. Conquistando coisas, subindo degraus…

Claro que tem o outro lado. Nem todos se dão bem. Alguns se dão muito mal. Mas não vejo, aí, necessidade de culpa. Não há como “salvar” a todos. Até porque não depende só de quem ensina (professor). Depende de quem educa (a família) e, principalmente, de quem aprende (a pessoa, o aluno).

projeto usina

Mas acredito que, como em todos os momentos da vida, o importante é tentar. É lutar. E, sempre que possível, perseverar.

(aproveitando: parabéns a Prefeitura de Porto Alegre e Perestroika pelo projeto Usina)

E o tempo, que passa cada vez mais rápido?

tempo

Estou cada dia mais assustada com o quanto que o tempo voa. Sim, ele voa, corre, vai a pau no asfalto da vida. Sim, eu sei que não é ele que voa e sim nós que queremos fazer cada vez mais coisas no mesmo tempo, mas o assombro é o mesmo – porque isso já foi possível, um dia!

Parece que foi ontem que eu parei e rabisquei algumas metas pro ano, alguns objetivos simples de cumprir. Foi logo após a virada do ano, quando voltei da praia, antes de retomar o trabalho pós-recesso. E ai, o que aconteceu?

Hoje me dei conta de que, de lá pra cá, já passaram três meses. Sim, estamos em abril e essas coisinhas simples não andaram como deveriam. Fiz coisas importantes? Sim! Realizei alguns desejos que demandam mais tempo, mais dinheiro? Sim!

Mas e o resto? E as coisas grandes?

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Ficaram paradas, em tópicos de uma lista (drama mode on) infinita (drama mode off) de afazeres. Vamos a um exemplo beeeem simples: queria tornar esse espaço mais útil, deixar redes sociais de lado e usar meu blog, meu canto, para pensar, falar, refletir e até xingar e elogiar.

É claro que o fato de eu me dar conta disso e estar aqui, hoje, escrevendo, não fará milagres. Preciso, sim, organizar o tempo, fazer com que tudo se torne possível. E que, no meio disso tudo, eu possa viver, amar e, muito, ser feliz!

Porque o ano começa hoje…

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Depois de duas semanas de férias e descanso, é hora de efetivamente começar o ano.
E por aqui isso significa bastante coisa: não são promessas, mas propostas pra ter uma vida melhor. Menos corrida, menos cansada, com o tempo melhor aproveitado, curtindo mais as pessoas e as situações.

Não quero dar muitos detalhes do que penso e espero, mas posso deixar registrado que, enquanto em 2013 a palavra-chave foi “fazer”, em 2014 mudei para “realizar”.

E para que comecem as realizações, preciso de foco, metas e prazos. Simples assim! Tudo na agenda, muita coisa programada, o que vai facilitar os caminhos que eu escolher e, também, me ajudar a chegar ao fim do ano mais feliz.

Feliz 2014!